Mesa São Paulo

Dirigentes de empresas de tecnologia, entre os quais os das fotos acima, participaram de mesa redonda organizada pela revista BANCO HOJE para calcular o efeto sobre seu mercado das manifestações de rua ocorridas nas grandes cidades do País, Predominou a opinião de que os atos de vandalismo devem ser punidos com a máxima energia. Quanto ao simples protesto, avaliou-se que o efeito seja positivo e que muitos dos objetivos são também fatores do desenvolvimento nacional e dependentes de maior uso da tecnologia da informação. Outras mesas redondas acompanhando este processo serão promovidas por BANCO HOJE e publicadas neste Portal.


GABRIEL MARÃO - PERCEPTION

Sobre o tema, a nova realidade do sistema brasileiro, com a inflação voltando ou não, como é que os bancos se comportam e o que está sendo chamado de a voz das ruas. Esse é um tema recorrente em nossos almoços, tivemos várias vezes o tema da educação. Ozires Silva, ex ministro, esteve aqui mais de uma vez falando sobre esse tema. Talvez pelo perfil dessa mesa de hoje essa seria a questão da realidade, investimentos e soluções para os bancos possam ser um tema melhor. Vou tomar a liberdade de começar com o Ideval e depois vamos rodando.


IDEVAL MUNHOZ - T-SYSTEMS

Falando um pouco dessa percepção que eu tive das ruas, há 3 semanas estive na nossa matriz na Alemanha e em toda e qualquer reunião que participava a primeira pergunta feita era: o que está acontecendo no Brasil? Nós já fomos rotulados como a bola da vez, e isso ficou evidente, pois vimos tanta gente na rua, tanta movimentação. Eu sempre coloquei isso de uma forma positiva, salvo algumas manifestações não politicamente corretas, mas no geral esse clamor, para o governo Dilma, que vinha em tranquilidade, foi chacoalhado.

Isso do lado empresarial também traz um reflexo positivo. A economia não está num patamar que se esperava naturalmente. A última previsão feita estava na casa dos 2,5%. Mas acho que o governo federal tem um papel importantíssimo que pode ajudar bastante.

No ponto de vista bancário, os bancos hoje procuram ao máximo otimizar as operações internas fazendo mais por menos com a tecnologia ajudando mais. A tecnologia sendo usada em várias vertentes para trazer otimização de processos, agilidade, disponibilidade de mais produtos para os usuários finais (clientes) e mobilidade naturalmente também. No caso da T-Systems, temos apoiado a inovação. O grupo DeutscheTelekom, que é uma empresa mãe da T-Systems, também tem uma infinidade de aplicações para esse segmento financeiro, que estamos migrando gradativamente aqui para o Brasil, apoiados em mobilidade. Sentimos essa tendência de ter mais e mais aplicações móveis. Cada banco também tem o seu departamento de inovação, calcado em buscar soluções que tragam cada vez mais agilidade.

Temos na Alemanha um laboratório de inovação, visitado por muitas empresas brasileiras, onde procuramos apontar para os próximos 3 anos o que os nossos engenheiros enxergam que pode ser aplicado para o Brasil. Esse é um trabalho constante nosso, não isolado. Assim como a T-Systems, outras empresas tem um trabalho similar, onde vemos como podemos contribuir mais para o nosso desenvolvimento local.



RICARDO HIGA - SAP

Maior transparência e exigência por qualidade de serviços são demandas que a sociedade impõe aos bancos e cuja intensidade se faz aumentar. A crise de 2008 devastou economias de países, empresas e famílias e teve seu epicentro no sistema financeiro. Governos e bancos centrais editaram quantidade recorde de medidas regulatórias, buscando aumentar seu controle sobre as operações dos bancos, levando ao recorde de 60 novos anúncios regulatórios por dia, em 2011. O Banco Central no Brasil assumiu uma postura mais "intrusiva" após a sucessão de intervenções a bancos ocorrida nos últimos anos. A exigência por maior qualidade de serviços dos consumidores de serviços financeiros pode ser percebida nos registros dos diversos Procons pelo Brasil.

A estas demandas somam-se um novo contexto econômico no Brasil que coloca a eficiência operacional no topo da agenda dos bancos. Comparações com pares internacionais revelam que o percentual de despesas sobre ativos dos bancos brasileiros é o dobro da media da America Latina e Estados Unidos.

A chegada de uma geração de consumidores digitais e a consolidação de macro tendencias de tecnologia como mobilidade, computação em nuvem e big data completam o novo ambiente em que os bancos precisam se adaptar: economia, demografia e tecnologia apresentam os desafios e oportunidades deste setor.

Nos últimos três anos, o setor de bancos apresentou o crescimento mais rápido na operação da SAP, subindo da 10ª posição no ranking de contribuição de receitas globais para a 4ª posição. Os bancos reagem as pressões de um novo contexto e buscam as melhores praticas de gestão e sistemas integrados para aumentar a eficiência de sua operação.

No Brasil, entendemos que estas são as principais oportunidades para os bancos capturarem aumento de eficiência:

1. Redução do custo do back office através de adoção de processos padronizados, acelerando fluxos de trabalho

2. Aumento da capacidade de gestão e analise estratégica

3. Redução do custo da transação com movimentação financeira, promovendo mobile payment, cujo custo é dezenas de vezes inferior ao dos canais tradicionais como ATM, agencia e correspondente.

3. Otimizar posse de ativos de tecnologia e alocação de capital, explorando computação em nuvem e iniciativa BYOD (bring your own device), em que os usuários tem acesso aos sistemas da organização através de seus próprios dispositivos móveis



ALFREDO PINHEIRO - COMPASS

A COMPASS decidiu analisar essa área de análise comparativa e particularmente diz respeito a custos de TI. Esse fator é muito importante, inclusive porque no Brasil os bancos tem uma tendência muito forte de fugir de terceirização. É muito raro se tomar uma iniciativa e partir para outro lugar, mas o nosso tema na verdade é: como estamos em questão de caminho no Brasil?

Nesses 30 anos temos mudanças fantásticas, absurdas na informática, só que existe um ponto muito importante nisso, a TI busca acima de tudo produtividade e qualidade nos processos em geral. A reação que estamos vendo em nosso povo hoje que é de gente que odeia criticar, não gosta de falar que é feio, ruim, mal, de dizer não. Mas até esse povo não consegue viver só de marketing. Eu tenho sido um defensor de marketing brutal, para algumas empresas que estão aqui eu já recomendei uma atitude de marketing extremamente agressiva. Mas o único marketing que não pode faltar em circunstância nenhuma, seja para os bancos, seja para os nossos negócios, seja no negócio de governo, para qualquer povo e cliente é o mínimo de qualidade. Faz muito mal a empresa que tem muita qualidade e se esconde. Faz muito mal uma empresa que só se mostra e não tem qualidade nenhuma. E quando eu falo empresa falo em termos de empreendimento, seja ele pessoal, empresarial ou governamental. Falta muito para nossos bancos se adaptarem, o modelo econômico é crítico. Quando as taxas de juros baixaram os nossos bancos acordaram. A grande crítica que eu fazia aos bancos sobre a falta de marketing, já nesse congresso do CIAB se mostrou irreal. Eles passaram a fazer mais marketing usando mais tecnologia, mas por que? Porque os juros baixaram ou porque saíram da linha do conforto? Para cada uma dessas companias, em time que está ganhando também se mexe.



JOSÉ CARLOS DUARTE - IBM BRASIL

Quero abordar primeiro o assunto das manifestações, do povo indo para a rua. Gostaria de fazer uma provocação aqui. Quando vimos a primeira manifestação tinhamos milhares de pessoas na rua, ontem (11/07) tinhamos algumas dezenas de pessoas, quem está por trás disso? A tecnologia de certa forma contribuiu para isso porque toda essa questão de mídia social e social business foi a base do movimento de articulação e que trouxe essa colaboração espontânea da população, com algumas excessões que não foram positivas, mas num geral foi muito bacana e acho que isso vai mudar a dinâmica das empresas por que tem que haver um foco no uso e exploração dessas tecnologias. Já vimos isso no Oriente Médio, países governantes caíram devido a ativação da população ao uso dessas tecnologias que há 5 anos atrás não existiam, ninguém falava disso. Acho que o importante é transportar isso para os nossos clientes, os bancos. O que eles podem obter de resultados, de coisas positivas usando essa tecnologia. E já tem gente usando, já tem cliente nosso que está começando a estudar e a experimentar esse tipo de tecnologia.

Na verdade, a área estratégica dos bancos tem se preocupado muito com o que chamávamos a um tempo atrás de ?????, tradicionalmente sempre trabalhamos com informações estruturadas. Conseguimos fazer uma série de aplicações, atividades de um produto, projeções e estudos para lançar um novo produto, análise de segmentação e agência, e todo tipo de análise possível usando os meus dados internos, posicionais e estruturados. Agora estamos partindo para um caminho em que todo mundo, toda a indústria já esta olhando e se movendo para isso que é: o que eu consigo fazer com essa imensidão de informação que está sendo gerada todo dia na Internet, nas mídias sociais? Observando, a coisa é tão grande que deixou de ser a tecnologia e passou a um nível de transparência que está no dia a dia das pessoas.

Hoje, quando se toma a decisão de morar em um determinado lugar, ou montar uma empresa, ou uma infra estrutura uma das primeiras coisas que se olha é se esse lugar tem banda larga, qual a velocidade de comunicação que eu vou colocar ali para implantar, por exemplo, uma agência. E também há a preocupação do investimento de infra estrutura dentro do país. O governo se mexeu, porque quando se fala que está gastando 1,5 bilhão para construir um estádio e vai num posto de saúde e não tem atendimento, tem algo estranho acontecendo.

Viemos reclamando de infra estrutura por todo o Brasil, em todos os aspectos, aeroportos, estradas, habitação, saúde e o povo está pedindo isso, cansou de ser só futebol, ele quer melhorar a qualidade de vida, quer que os impostos sejam melhor aplicados. Esse contexto é muito interessante para o momento de transformação que iremos passar, estamos passando.

Voltando um pouco na questão dos bancos e no uso da tecnologia, eles só tem a ganhar usando isso. O exemplo de aplicação que estamos desenvolvendo para alguns clientes é como que eu sei qual o sentimento que os clientes tem da minha marca? Como fazemos isso normalmente? Se pensarmos com a cabeça tradicional, contrataremos uma pesquisa de mercado com um conjunto de clientes, ou chamaremos um grupo de clientes e faremos uma experiência, mas agora com as ferramentas que já estão disponíveis eu consigo imediatamente identificar qual é o sentimento dos consumidores em relação ao produto ou a empresa. Isso está sendo disponibilizado na mesa de tecnologia. A maioria de nós que somos empresas de tecnologia temos essa contribuição para fazer ao segmento, ao mercado, para o benefício de todos. Por que é isso que queremos: um ambiente saudável, em que tenhamos um padrão de vida bom e que todas as pessoas tenham um mínimo necessário para sua subsistência, para manter sua família. Essa contribuição nós temos que trazer para discussão. De certa forma estamos contribuindo para o uso da tecnologia para o bem da sociedade como um todo.



LUIZ EUGÊNIO FIGUEIREDO - ABVCAP

Acho muito interessante essa conversa em relação ao que o Brasil tem passado recentemente e ao uso de tecnologia. Eu tive uma situação bastante interessante em que cheguei dos EUA (estudei lá por 2 meses) e quando falamos de inovação ficamos muito expostos ao que está se fazendo e pesquisando para o crescimento da população, ao dia a dia das pessoas. Realmente esse uso da tecnologia e a rapidez das mudanças esta se assentando de forma muito profunda, mas acho também que tem um outro lado que não falamos, que o uso massivo da tecnologia acaba facilitando muito o monitoramento e o acompanhamento do que as pessoas estão fazendo. Esse momento há muita exposição e pode ter consequências um pouco mais profundas do que poderíamos imaginar.

No exterior, eu estando afastando do que acontecia aqui, todo dia as pessoas chegavam e perguntavam o que está acontecendo no Brasil? E eu tento olhar (como foi falado aqui também) de uma forma positiva. Concordo que o Brasil tem esse histórico de se organizar, se movimentar. Por outro lado não posso deixar de colocar uma preocupação, que no meu ponto de vista, quando eu olho para o governo Lula, por exemplo, minha opinião pessoal é que foi melhor do que eu esperava. Ele teve períodos de instabilidade mas não teve que fazer curvas bruscas ao longo do caminho. A Dilma está numa situação complicada seja pelo cenário internacional, seja pela pressão das massas. Eu tenho a preocupação de saber como ela vai fazer as curvas. Se forem bem feitas, será positivo para o Brasil, sem dúvida. Mas se forem mal feitas isso complicará mais ainda a situação do país.



MARCELO RAMOS - GXS

Para conectar um pouco a visão da GXS com o que a gente está vivendo e associar isso ao crescimento que os bancos estão tendo, a necessidade de cada vez mais se investir em tecnologia e reduzir seus custos. Ouvindo vocês aqui vimos um pouco da razão de ser, devemos tudo isso ao crescimento do mercado corporativo, as indústrias, as empresas de manufaturas, de distribuição e logística, aos varejistas, eles é que estão fomentando o crescimento que os bancos hoje estão buscando. Se formos olhar para qualquer empresa, ela compra algo, transforma e vende no lado do by side se vê dois grandes processos básicos de negócios: a compra e o pagamento, é o primeiro grande pilar da presença dos bancos na cadeia de valor. E no lado do sie side a mesma coisa. A empresa quer receber pedidos e depois receber o cash e novamente o segundo pilar de ocupação do banco nessa grande cadeia de valor do mercado.

O que tenho notado, e são indicadores do volume de infra estrutura que está vivendo em crescimento, toda essa movimentação que as comunidades das empresas estão mostrando hoje. Força o banco a explorar novas oportunidades de negócio. Porque as empresas, as manufaturas estão crescendo? Todos viram a oferta de crédito que começou a alguns anos atrás, o endividamento positivo, a realidade onde estamos vivendo um momento de atenção e isso que fomentou esse grande volume de transações em muitas empresas. Tem dois setores associados a bancos e ao mercado financeiro (seguradoras e administradoras de cartão de crédito).



PASQUALIN - CENTER NORTE

Muito obrigada pelo convite de BANCO HOJE e pela oportunidade para fazer um contraponto nas coisas que escutei. Setor financeiro e setor de TI. O que vemos nos últimos anos é que o setor financeiro tem sido um grande mal. Sinto-me a vontade de falar porque não sou do setor e o excesso de produtos, na verdade, não é para atender a demanda dos consumidores, é para facilitar o caos de gestão. E com isso cria condições cada vez mais difíceis para os setores que não tem a mesma capacidade de controle do setor financeiro e a TI é a ferramenta fundamental para esse desequilíbrio que é extremamente maléfico. Nós temos que o setor financeiro é o único setor que alavanca várias margens em cima de um mesmo produto. Vamos pegar o preço médio do automóvel, que por sua vez no Brasil também tem as maiores margens comparadas com outros países (não é só o setor financeiro a que me refiro), mas já que há uma margem de lucro em cima do carro, tem um financiamento que tem uma margem de lucro, tem um seguro que tem uma margem de lucro, alguns recebíveis são vendidos para outros por margem de lucro. Portanto, temos uma distorção conceitual de várias alavancagens em cima de um mesmo produto, porém sempre estimulado pelo setor financeiro.

Quando se fala em indicadores internos e externos, sempre se usa um indicador mais favorável externo para justificar uma melhoria dos nossos indicadores internos. A recíproca não é verdadeira. A necessidade da crítica existe, ela é fundamental, tem que haver o contraponto. A primeira onda foi a do povo, a segunda, fraquinha, sem vergonha, foi essencialmente política. Totalmente sem adesão.

O uso da TI para novas pesquisas, tive a infelicidade de escutar hoje para descobrir o sentimento do consumidor para daí se desenvolver novos produtos. Infelicidade porque a TI está sendo utilizada para isso. Nós já temos produtos suficientes. A TI é um setor que tem condição de pagar pesquisa em desenvolvimento, visando não o equilíbrio social mas muito mais uma concentração de recursos, portanto gerando desequilibrio em todos os outros setores. E a moblidade é muito boa porque se hoje vamos ter uma tendência de meios de pagamento que vão escapar do setor financeiro, talvez o telefone, e os bancos estão procurando novos negócios é por que já reconheceram que esse desequilibrio existe, queira ou não pagar.

Termina da seguinte maneira: 14 de julho de 1789, queda da Bastilha, foi uma revolta do povo que era insustentável para aqueles que moravam fora dos palácios. Aquela revolta era das pessoas que passavam frio, fome e eram totalmente sangradas pelos impostos. Nós estamos tendo uma nova revolução com outras características. Não temos atendimento de saúde, as pessoas são espremidas nos ônibus, nos trens, no metro e nós ainda moramos numa ilha chamada São Paulo. O resto do Brasil tem uma realidade muito diferente da nossa.

Nessa mesa vejo alguns carecas como eu e vários cabelos brancos que não souberam construir o que existe. Sou crítico, tenho filhos pequenos, netos. O que nós construímos e o que eu escutei aqui não vejo como caminho para solução de algo que é fundamental ser mudado. Vejo que tudo o que foi colocado aqui é reforço dessa balburdia que estamos vivendo hoje. Isso é um desabafo pessoal que acredito que seja de uma grande parcela dos brasileiros.



GABRIEL MARÃO - PERCEPTION

Sem querer fazer contraponto, eu vou falar de coisas importantes sobre a fala do Pasqualin. Nós estamos vivendo no Egito uma situação de que se não houver um tratamento disso pode-se ficar numa situação pior do que ficou. A monarquia voltou na França depois daquilo. Então o nosso papel é de tentarmos ver como ajudar o país e realmente não é num debate de negócios que a gente pode ajudar, num debate formamos consciência. Uma das coisas que quero falar é de uma atividade que tenho feito. A partir de reuniões feitas com BANCO HOJE, tem uma internet vindo aí, chamada Internet das Coisas que é muito mais invasiva porque tudo vai ser identificado e é uma realidade tecnológica muito forte e importante. Por acaso os nossos bancos não estão acordando para isso mais tudo será identificado. Um grupo criou um fórum de Internet das Coisas cujo objetivo é alertar que o Brasil se prepare para isso. Um Brasil do ponto de vista legislação, governo, indústria, usuários. Não podemos ser contra o FACEBOOK, eu não uso. É uma realidade que está aí. Não tem significância nenhuma se nós formos contra ou a favor. O Google, você não abre um negócio se não soltar nele algumas perguntas básicas. Tem uma realidade tecnológica que não podemos negar e mais do que isso a Internet das Coisas é só uma consolidação de tudo o que está aí de tecnologia. É claro que o Cloud Compunting, a identificação automática, o sensoriamento de tudo o que se pode imaginar é uma tecnologia já disponível ficando com custos cada vez mais baixos. E os problemas? Ou ignoramos (não podemos) ou tentamos ver como o Brasil pode colaborar. A IBM tem colaborado nesse foco, a T-SYSYTEMS através do contrato com a HP tem colaborado também, além de universidades brasileiras. Nós temos coisas que podemos fazer, talvez não estejamos conseguindo influenciar as massas, mas podemos tentar melhorar a educação. Conversando com o Duarte ele tem alguns convênios com entidades específicas e de treinamento e podemos tentar fazer algo. Tem coisas que já saíram de debates como esse. Tem coisas que podemos fazer e se alguém quiser saber mais estamos as ordens.

Precisamos mais e mais de padrões mundiais, chega de ficar inventando tomada diferente.



JOSÉ CARLOS DUARTE - IBM

Concordo com todas as considerações e essa questão de uso da tecnologia. Gostaria de citar um exemplo, pois toda tecnologia que se inventa no mundo pode ser usada para o bem ou para o mal. Se pegarmos o exemplo do avião, o Santos Dumont, dizem que o motivo do seu suícidio se deu no momento quando viu que o aparelho que ele tinha inventado estava sendo usado para guerra e até hoje se vê isso. A aviação que possibilita um benefício enorme para o mundo, facilitando nossas vidas mas ao mesmo tempo temos a aviação militar que é usada para defesa ou ataque. Agora eu acho que o importante aqui nesse fórum é olhar não só para a melhoria da sociedade, a capacitação das empresas e o uso das tecnologias para todas essas questões. Essa questão de criar um bom produto é o objetivo do empresário, ele tem que estar olhando para o mercado constantemente até para direcionar os rumos dos seus investimentos em tecnologia e daí temos vários exemplos muito interessantes. A mais recente é a indústria de GPS. Vocês conhecem a Garmin, que é uma fabricante famosa de GPS. Essa empresa está sendo destruída por uma empresa israelense que criou uma aplicação chamada Waze. Eu não preciso mais comprar um aparelho específico de GPS para colocar no meu carro se eu posso usar meu smartphone e colocar essa aplicação ali no meu computador universal, onde eu rodo qualquer aplicação, sem necessidade de ter um dispositivo para cada aplicação como o GPS. O uso da tecnologia está aí para facilitar a vida das pessoas e permitir análise de de dados para tomada de decisões.

Outra questão importante é quando falei nessa análise de "sense". Até o próprio governo poderia usar esse tipo de tecnologia para medir a satisfação das pessoas. Como é que se faz isso?

A IBM desenvolveu uma tecnologia chamada WATSON (homenagem ao nosso fundador) que é um computador que trabalha com computação cognitiva, que é o próximo estágio de evolução da ciência da computação. Tivemos o início da computação que foi nos anos 60 para fazer cálculos, a IBM e outras empresas criaram os sistemas programáveis, onde entramos em outras fases e uma discussão que ocorreu na tecnologia de TI nas empresas foi o surgimento da Internet. A próxima onda é a computação cognitiva. Mas o que é isso?

O computador é uma máquina "burra", ele é binário, sabe sim ou não então na hora que eu faço uma pergunta para um computador, ou eu faço uma pergunta usando um navegador tipo google, yahoo. Eu digito lá qual é o melhor restaurante de SP? O google não sabe responder isso. E a computação cognitiva funciona dessa forma, ao fazermos uma pergunta para o computador e ele te dar uma resposta. Com o WATSON fizemos um exercício num programa americano Jeopardy que tem uma lógica invertida, que é mais complicado ainda. O processo do programa é apresentar uma resposta e participante tem que dizer qual é a pergunta. Para exemplificar uma das respostas eram: cidade americana que possui aeroportos com os nomes dos heróis da segunda grande guerra americanos. A resposta era: O que é Chicago.

Nessa parte tem um ponto muito positivo. Essa tecnologia e esse tipo de computação será utilizado pelos empresários para negócios mas os primeiros projetos que vendemos foram para hospitais, institutos de pesquisa em áreas de pesquisas de doenças como o cancêr. É claro que o computador dará respostas para o médico mas quem tomará a decisão final é o ser humano. Basicamente é isso. Procurei sintetizar aqui tudo o que gente tem de tecnologia e quem compra é que vai saber utilizá-la ou para o bem ou para o mal.



ALFREDO PINHEIRO - COMPASS

É fundamental, é necessário a reação, o direito de reclamar, de xingar. A verdade é que tomar decisão é uma das coisas mais difíceis da vida de qualquer ser humano. O elo entre a privacidade e a governabilidade é cinzenta. Entre o lucro, a iniciativa privada e o bem social a linha ... é muito cinzenta. Mas acho fundamental que a todo momento façamos um rejulgamento de cada uma das aplicações que fazemos em tecnologia de força, de controle. Porque essa é a grande capacidade que o Watson ainda não vai ter por enquanto. Por outro lado, com a aplicação bem intencionada e pacífica, como por exemplo, se eu ultrapassar a velocidade através do uso de GPS é um big brother do bem.

Conheço muitos banqueiros, eles não são pessoas ruins. São empresários que buscam lucros sim, tem uma força brutal dentro do nosso país mas o fato é que essas pessoas também tem uma preocupação com o meio comum e com seus netos. Essas pessoas são acessíveis e vão ler o que estamos falando aqui e vão concordar. Entretanto, eles ainda tem um objetivo de sobrevivência pessoal e vão buscar novos produtos e novas formas de eventualmente até agridir o consumidor com as suas sobretaxas e tudo mais.

A alternativa da força bruta, do capital, da força financeira, sempre foi de um elemento chamado governo. Nós estamos numa fase de desgoverno a mais de 10 anos e destruiu nesse tempo tudo aquilo que conseguimos fazer no governo passado, que acabou com a inflação, revertendo os caminhos desse país e essa inação (não fazer curvas, seguir a reta) simplesmente apagou a última década desse país. O governo em termos de cumprir a sua função social e distribuir renda resolveu fazer isso dando peixe ao invés de ensinar a pescar. Entretanto esse peixe que foi dado não foi dele, ele tirou da classe média, tirou de quem paga imposto. Enquanto o nosso povo vive atravancado dentro dos ônibus, do trânsito, dos trens, o nosso governo acha absolutamente normal usar avião da FAB para ir participar de jogo de futebol. Não são os bancos que estão defendendo isso. Os bancos são interessados até na leniência do governo. Os nossos banqueiros são sérios, humanos, são gente competentíssima e tiraram proveito de uma fase terrível da nossa história, a inflação, para alcançar um grau de utilização de informática inédito em todo o mundo. Os bancos brasileiros são os mais e melhor automatizados que qualquer outro no mundo. Bom para eles. Os nossos banqueiros são os primeiros que levantariam uma bandeira de apoio e já levantaram para ter um sistema governando mais decente e menos corrupto. Tinha que ter vestibular para governante, ficha limpa tinha de ser obrigação.

O que o povo está pedindo, o que nós estamos pedindo é vamos usar o avião para transportar gente, para levar counicação e não para levar bomba. Estamos cheios, cansados de levar bomba na cabeça de um grupo pequeno. Eu ouvi, na Escola Superior de Guerra, uma frase muito importante: se os bons, se os bem intencionados, se os preparados e os honestos não ocuparem espaço na política os maus, os mal intencionados, os desonestos, os incapazes vão fazer. Não existe espaço vazio em política, é nossa culpa. Se nós não nos revelarmos, se não formos para a rua, o nosso povo despreparado vai continuar votando no Tiririca, no Lula, no Zé Dirceu ou no cacareco, como era a moda no nosso tempo.



GERALDO JOSÉ CECÍLIO - W3PRO

Concordo com tudo o que foi aqui falado, e vejo um otimismo muito grande na população, indo para as ruas se manifestar, e acredito sinceramente que todas estas novas tecnologias de informação e comunicação, e as redes sociais, estão contribuindo significativamente para uma conscientização e participação mais direta de cada cidadão.

Espontaneamente e sem convocação de partidos políticos, sindicados, grupos religiosos, ou outras instituições, o povo se auto organizou e conseguiu reunir milhões de pessoas nestas manifestações, que na grande maioria foi pacifica e cívica, cujos objetivos foram de participar com suas próprias vozes e cartazes nas tomadas de decisões do seu país em dezenas de reivindicações diferentes, onde seus governantes depois de eleitos de um modo geral não ouvem mais os anseios da população em todos os aspectos.

Os conceitos de mente coletiva, aliados as tecnologias emergentes já começam a serem aplicadas à democracia, começando pela lei das transparências dos governos, disponibilizando-se na Internet as despesas, salários e demais informações para acesso por todo o público que queira conhecer em detalhes onde seus impostos estão sendo aplicados, tanto nas esferas federal, estadual e municipal.

As tecnologias emergentes, cada vez mais está possibilitando, nós cidadãos, voltarmos a aqueles antigos conceitos de democracia participativa e cada vez mais direta, sem muitos "intermediários" nos "representando mal" agindo de acordo com seus próprios interesses, de uma forma que as promessas eleitorais são desvirtuadas no momento que estes nossos representantes eleitos tomam posse em seus cargos.

Atualmente a tecnologia passa a possibilitar grandes avanços, onde pela Internet através das redes sociais, e milhares de aplicativos conectados, vai dando mais condições da implantação de uma maior quantidade de que consultas populares e plebiscitos sejam realizados até mesmo de forma virtual, para que as leis, investimentos, politicas sociais e grandes decisões que afetam diretamente a sociedade, sejam muito mais participativas, viáveis e rápidas.

Logicamente ainda existem questões da segurança que precisam ser aperfeiçoadas, existe ainda razoável desconfiança nas nuvens da Internet, mas que ao meu ver é um problema não tão difícil de ser resolvido a médio prazo.

Podemos caminhar a passos largos para uma democracia mais direta de todo cidadão nas decisões de nosso país, estados e municípios, onde não vamos precisar de tantos "representantes" para fazer ouvir a nossa voz, a nossa opinião, e manifestarmos diretamente nossos anseios, e pois a tecnologia vai estar possibilitando isso progressivamente a passos largos.

Outras mudanças de paradigmas também estão sendo alterados pelas novas tecnologias, por exemplo, em termos de negócios, acabamos de ver nas últimas semanas as grandes livrarias Norte Americanas fechando lojas físicas ou reduzindo drasticamente suas unidades, pois atualmente estas empresas tem uma estrutura cada vez mais cara, onde livrarias viraram megas livrarias, e apesar de existir todo aquela tradição de se pegar o livro de papel nas mãos, folhear, ver a capa e contracapa, as megas livrarias estão se transformando em grande parte quase que somente somente show-rooms.

As pessoas entram nas livrarias, folheiam livros, mas deixam para chegar em casa e fazer pesquisas na Internet , obtendo o menor valor dos livros já em formatos digitais, utilizando aplicativos de comparação de preços, e acabam comprando livros em formatos digitais a um custo menor, baixando para seus tablets, smatphones ou readers books.

O custo dos livros digitais custam muito mais baratos do que os formatos impressos padrões. Com isto, a tecnologia está alterando a passos largos os paradigmas das livrarias, como também está acontecendo com alguns grandes jornais (atualmente o Jornal do Brasil existe somente em formato digital),quanto a revistas, a Editora Abril líder de mercado acabou de anunciar nas ultimas semanas a redução de diversos títulos de publicações, e tendem a passar a fornecer tudo também para o formato digital.

Na educação, as escolas, governos e professores estão cada vez mais substituindo os livros em papel por novos formatos digitais, lousas eletrônicas digitais, evitando que os alunos tenham que ficar grande parte das aulas copiando matérias das lousas tradicionais a giz, podendo desta forma o aluno focar mais nos ensinamentos verbais dos professores, e ter a matéria e anotações da lousa baixadas automaticamente em seus tablets, isto também com certeza será mais uma grande revolução causada pela tecnologia nesta área educacional.

Acredito que todo esse movimento recente dos cidadãos indo para as ruas se manifestarem, vem mostrar a conscientização individual ajudada em muito pelas redes sociais,passando a gerar uma nova realidade cidadã, onde nas ultimas semanas no Brasil, sem envolvimento ou convocação de partidos políticos ou sindicatos, milhões de pessoas saíram as ruas em protesto por todo o país, sem um líder ou uma estrutura institucional, de uma forma espontânea, com grande heterogeneidade de reivindicações, e salvo pouquíssimos grupos de vandalismos infiltrados, estas manifestações, em sua grande maioria, foram pacificas e forçou e sensibilizou todas as esferas de governo a rever posições, onde antes era dito pelos governos que seriam impossíveis de serem atendidas, como por exemplo a redução dos preços das passagens de transportes coletivos.

Outra coisa interessante do uso da tecnologia para beneficiar a sociedade é a decisão recente da USP, que está começando a disponibilizar todas as aulas de seus diversos cursos de graça na Internet, deixando à disposição de todo cidadão que não tem acesso a uma educação de qualidade, ou quer se reciclar em sua área, poder assistir pela internet quando quiser, por exemplo o curso de uma faculdade de física, administração e outras que aos poucos também serão disponibilizadas na Web de forma gratuita para quem quiser assistir e se atualizar. É a grande democracia do conhecimento começando graças a tecnologia.

Logicamente não teremos engenheiros, físicos, administradores ou doutores formados e graduados pela Web, mas é uma forma muito importante e interessante de disseminar conhecimentos de forma democrática e aberta a todos.

Pelo lado da infraestrutura de acesso a Internet , além de algumas ainda poucas cidades já estar contando com Internet banda larga de graça via Wi-Fi, também as operadoras de TV a cabo já estão oferecendo em quase todas grandes cidades do Brasil milhares de pontos Wi-Fi de graça aos seus assinantes.

Só a operadora de TV a Cabo NET, já instalou mais de 2.000 pontos de graça de Wi-Fi para seus assinantes de São Paulo e Rio e Curitiba, e a operadora Vivo (antiga TVA) também está fazendo a mesma coisa para seus assinantes.

Algo muito importante está acontecendo graças as novas tecnologias, de uma forma crescente, onde as redes sociais, e outras aplicações vão disseminando conhecimento e a voz do povo, cada vez mais diretamente aos governantes, e esta participação popular direta, tende a longo prazo, talvez voltarmos onde cada individuo precise cada vez menos terceirizar seus anseios através de "representantes", onde ele próprio, numa rede global pelos países, possam quem sabe, propor e aprovar leis numa democracia direta tal como na Grécia antiga onde pela pequena população na época, os cidadãos se reuniam nas praças e decidiam diretamente o melhor para a maioria, sem "intermediários" representando-os.

Será, quem sabe um dia, teremos uma democracia exercida diretamente pela voz do povo, com menos estruturas governamentais, que de uma forma geral, acabam gerando desvios, desperdícios e corrupções.

Vejam por exemplo, hoje o Brasil que dizia não ter verbas para melhoria da saúde, educação, segurança, transportes, de repente encontrou e está gastando 33 milhões de reais em mais de uma dezena de estádios.

Isto significa que este dinheiro já existia de alguma forma, e quem sabe se o Brasil não fosse sediar a Copa do Mundo e as próximas Olimpíadas, estes 33 milhões de reais, seriam desviados para a corrupção, pois apesar da fantástica arrecadação de impostos, sempre alega-se não ter dinheiro para mais investimentos, então, apesar dos custos abusivos dos novos estádios, estes 33 milhões de reais, provavelmente seriam jogados no ralo da corrupção, ou seja, de certa forma a Copa do mundo e as Olimpíadas estão servindo para "desviar uma parte do dinheiro" que iria para corrupção.




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