Após 30 anos, Edemir deixa setor financeiro




Ney Castro Alves

Essa é a mensagem publicada, em duas páginas, no Estadão e no Valor Econômico: “Obrigado Edemir”.

“Edemir, nesses 30 anos de dedicação, sentimos de perto sua determinação, sua essência estrategista, seu poder visionário e sua generosidade. Você idealizou, conduziu e liderou negociações que definiram e consolidaram o Mercado Financeiro e de Capitais do Brasil. Deu vida a uma empresa de infraestrutura de classe mundial e foi além, integrou e mercado e potencializou o País. Hoje, ao dia em que você deixa a presidência da B3, nós do Conselho de Administração e Funcionários, gostaríamos simplesmente de dizer que essa foi uma jornada “ESPETACULAR! ”

Após mais de 30 anos no mer­cado financeiro, Edemir Pin­to se despediu ontem da presi­dência da B3, empresa resul­tante da fusão entre Cetip e BM&FBovespa. Além dessa combinação, que teve o execu­tivo como idealizador, Ede­mir esteve à frente da união entre BM&F e Bovespa, em 2008. Agora, ele deixa o setor para dar início a uma carreira como empresário.

Em junho, Edemir se prepara para inaugurar a EP - Empreen­dimentos & Participações, com­panhia com foco no setor imobi­liário e que também terá atuação na compra de participação em empresas. Nessa área, o inte­resse da EP é investir em empre­sas iniciantes de segmentos

"Agora, vou empreender na eco­nomia real. Em startups, não busco nada voltado ao mercado financeiro. Quero virar a página e dar minha contribuição."

Edemir chegou à Bolsa em 1986. Na ocasião, foi incorporada a Bolsa de Mercadorias de São Paulo (BMSP), aliando-se a tradição de uma ao dinamismo da outra, surgindo a Bolsa de Mercadorias e Futuros. A BM&F começou a funcionar em maio de 1991. Em 1999, Edemir substituiu como superindentendente geral, a Dorival Rodrigues Alves (que morreu em abril de 1999) . Posteriomente, se tornou diretor-presidente, e comandou a BM&F, que depois se uniu à Bovespa, e ajudou a criar a BM&FBovespa em 26 de Março de 2008. A fusão des­ta última com a CETIP deu ori­gem à B3, Bolsa Balcão Brasil.

O acordo com a Cetip foi um negócio de R$12 bilhões e criou uma empresa de mais de R$ 40 bilhões de valor de mercado. A operação foi concluída mais de um ano após seu anúncio, de­pois de todas as aprovações com os reguladores, o que acon­teceu no fim de fevereiro.

Nasdaq - "Sempre olhei a Cetip como um admirador de seu mo­delo de negócio. Antes dessa, tentei uma compra ou incorpo­ração por outras cinco vezes e não consegui realizar." Edemir conta que, logo após a BM&F incorporar a Bovespa, o olhar da companhia era o de interna­cionalização. No foco estava a americana Nasdaq. A proposta feita à época, no entanto, não foi aceita. Depois, outro alvo foi a Bolsa de Opções de Chicago, a CBOE, desejo que também não foi em frente.

O processo de internacionali­zação, no entanto, veio pela América Latina. Hoje, a B3 já é acionista minoritária em qua­tro bolsas da região: Peru, Co­lômbia, Chile e México. Falta ainda a aquisição de uma fatia da bolsa da Argentina, que deve ocorrer até o fim do ano.

Agora, o executivo passa o bastão para o ex-presidente da Cetip, Gilson Finkelsztain, que terá a missão de conduzir a 83 no processo de integração das companhias.

Em relatório ao mercado, o Credit Suisse destacou que Ede­mir, à frente da BM&FBovespa, "renovou suas plataformas de negociação, integrou suas câma­ras de compensação, prestou um louvável controle de custos e conduziu o negócio de trans­formação com a CETIP". Sobre os desafios de Finkelsztain, a instituição apontou a melhoria do processo de inovação para potencializar as sinergias de re­ceitas e controlar de custos.

"Olho para trás e vejo um legado de incorporações. Hoje, há um modelo brasileiro inédito no mundo, de uma infraestrutura de mercado única. O Brasil possui uma Bolsa forte e um mercado com grande potencial de desenvolvimento, o que sig­nifica que ela estápreparada pa­ra, cada vez mais, atrair investi­dores de todo o mundo", desta­ca Edemir.

Uma história

Edemir chegou à BM&F em 1986, assumindo o cargo de diretor da Clearing no ano seguinte. De 1999 a 2008, foi diretor-geral da BM&F, estando à frente da fusão com a Bovespa, operação que criou a companhia nos moldes de hoje. Já Finkelsztain foi eleito presidente da CETIP em 2013, sendo que anteriormente era conselheiro da companhia. Formado em Engenharia de Produção Civil pela PUC do Rio de Janeiro, fez especialização no INSEAD (Advanced Management Program). Iniciou carreira no mercado financeiro em 1993, no Citibank, onde ficou até 2007. Trabalhou ainda no JPMorgan, Bank of America Merrill Lynch e Santander.

Entendemos agora, que a meta é conseguir a concretização da operação de combinação de negócios, o que representa o mais significativo passo estratégico da empresa. A meta é atender ainda melhor clientes e reguladores no Brasil e globalmente, com base nos valores que foram os pilares do sucesso das duas empresas até aqui: excelência operacional e tecnológica, credibilidade, transparência e desejo de desenvolver os Mercados Financeiro e de Capitais.

(*) Ney Castro Alves, é Advogado, Pós-Graduado em Administração pela FGV, Presidente da Theca Empreendimentos e Participações, Membro do Conselho da Consif - Confederação Nacional do Sistema Financeiro e Conselheiro Certificado do IBGC.



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