Impactos do 8º Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais



Ney Castro Alves

O ex-presidente do BC Gustavo Franco frisou que o equacionamento da questão fiscal vai além da reforma da Previdência. Ele lembrou que o Brasil ainda não tem um orçamento como países desenvolvidos. No Congresso, o plenário fica cheio para discutir despesas, vazio para falar de tributos para melhorar as receitas e ninguém quer discutir a dívida. Isso é resolvido depois de um contingenciamento das receitas pelo Executivo. Essa é uma deficiência institucional que não conseguimos resolver", disse ele.

Psicologia e tecnologias disruptivas

Em outro painel, o prêmio Nobel de Economia Daniel Kahneman falou sobre como o excesso de confiança afeta negativamente a tomada de decisão por parte de empreendedores, empresários e investidores. "Na minha teoria, as pessoas se arriscam porque não têm ideia das probabilidades. Elas têm confiança excessiva", disse. "Fizemos um estudo com CEOs de empresas listadas entre as 500 maiores da Revista Fortune. Perguntamos o que iria acontecer no mercado nos 12 meses seguintes. A maioria errou o prognóstico. Isso se chama excesso de confiança." No final do dia, debateram tecnologias disruptivas, inovação e fintechs, cofundador do Blockchain Research Institute Don Tapscott e o venture partner do Santander InnoVentures Pascal Bouvier

Operação Lava Jato foi considerado um passo importante, mas insuficiente, para o Brasil superar os problemas decorrentes da corrupção. Essa é a avaliação dos personagens que protagonizaram o painel "As consequências econômicas e políticas da Lava Jato". O coordenador da força-tarefa da Lava Jato e procurador do Ministério Público Federal, Delton Dallagnol, disse que o País deve atuar sobre as condições que favorecem a corrupção. Nesse contexto, defendeu a realização de uma reforma política que reduza o número de partidos, barateie as campanhas eleitorais e torne viável uma fiscalização mais efetiva dos candidatos. "Estamos no caminho certo, mas é preciso dar passos adicionais. Sem mudanças mais profundas, a Lava Jato é enxugar gelo", afirmou. "Apenas três em cada 100 casos de corrupção são punidos", afirmou Dallagnol, O economista e cientista social Eduardo Giannetti da Fonseca seguiu na mesma linha do procurador. "A Lava Jato é condição necessária, mas insuficiente, para resolvermos os nossos problemas", disse. "Se não melhorarmos as regras e os jogadores, o jogo vai degringolar de novo", afirmou. "É uma aberração termos 28 partidos no Congresso, como hoje. Não consigo imaginar um país como o nosso com mais de 4 ou 5 partidos que representem correntes de opinião relevantes da sociedade brasileira.

"O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) completou o painel e defendeu a redução do tamanho do Estado como uma das medidas estruturais para o combate à corrupção. Segundo ele, o Brasil tem hoje 28 ministérios e 107 estatais controladas pelo governo federal. "

Perspectivas econômicas

Em sua palestra, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que o Brasil está saindo da recessão mais longa da história. Ele apresentou estimativas do Ministério segundo as quais o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 0,5% em 2017 na comparação com 2016. O ministro ressaltou, no entanto, que outras estimativas indicam que, no quarto trimestre do ano, a economia já estará avançando acima de 3% em termos anualizados. As projeções do Ministério são de que o PIB crescerá 3,2% no quarto trimestre deste ano em relação ao terceiro trimestre, e 2% levando em conta o quarto trimestre de 2017 em comparação com igual período de 2016. "Estamos saindo da recessão solidamente e vamos surpreender a muitos", disse Meirelles. O presidente do Conselho de Administração da B3, Pedro Parente, fez um balanço do Congresso, e destacou a importância da realização de reformas estruturais que garantam o crescimento sustentado da economia brasileira. "Estamos postergando a solução para o tamanho do Estado tributando as crianças, diretamente através do endividamento público e indiretamente através dos excessivos gastos previdenciários", afirmou. As duas últimas apresentações do Congresso da B3, o novo presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Marcelo Barbosa, fez no evento seu primeiro pronunciamento público. Pelo Banco Central, o palestrante foi o diretor de Política Monetária, Reinaldo Le Grazie.

Futuro do capitalismo e economia dos EUA

Em outros dois painéis, os economistas Luigi Zingales, professor da Chicago Booth School of Business, e Barry Eichengreen, professor da Universidade da Califórnia (Berkeley), falaram, respectivamente, sobre o momento atual do capitalismo e os impactos do governo de Donald Trump sobre a economia global. Outro especialista internacional, Gideon Rachman, comentarista do Financial Times, falou sobre a tensão geopolítica no mundo atual, com destaque para Brexit e as relações entre os EUA e a Rússia.

Nobel de Economia: melhor que investidor pode fazer é ficar quieto.

O pior inimigo do investidor é ele mesmo. É o que explica o Prêmio Nobel de Economia Daniel Kahneman, especialista em estudos do comportamento do investidor, as chamadas finanças comportamentais. Segundo ele, as pessoas sofrem com o excesso de confiança, o que as leva a tomar decisões em situações que não podem avaliar corretamente. "Não sabemos o que está acontecendo, não conhecemos todas as variáveis, não controlamos essas variáveis, mas insistimos em decidir".

Outra reação é quanto à probabilidade dos eventos. "Temos muita confiança em nossas crenças", afirma Kahneman. Assim, as pessoas dizem estar 99% certas sobre certa coisa, mas na verdade, não têm ideia do que vai acontecer. "Uma porcentagem baixíssima dessas opiniões são confirmadas pelos fatos depois, mas as pessoas continuam acreditando nelas", diz.

Ele dá o exemplo das pequenas empresas nos EUA. De cada 100 abertas, apenas 33 sobrevivem após cinco anos. "Mas mesmo assim todos que iniciaram o negócio tinham 90% de certeza que daria certo", afirma. O fato de que as mulheres apresentarem melhor resultado em seus investimentos do que os homens. Isso ocorre, diz Kahneman, porque elas são menos confiantes, e tem mais dúvidas e por isso tomam mais cuidado, mudando menos de aplicação. Outra característica da natureza humana é que as perdas são mais dolorosas que os ganhos, o que provoca reações mais fortes quando o investidor perde dinheiro. "A reação a eventos ruins é maior que aos bons, pois a dor é mais marcante que o prazer", diz Kahneman. E nas experiências que as pessoas têm, as perdas são mais significativas emocionalmente do que os ganhos, o que tem um grande impacto em nosso comportamento.

Kahneman lembra que as pessoas que passaram pela Grande Depressão econômica nos EUA nos anos 1930 ou que cresceram logo depois foram enormemente influenciadas pelas dificuldades da época e se tornaram mais cautelosas pelo resto da vida. Mas, no caso da crise de 2008, o impacto não foi tão grande, porque as coisas melhoraram mais rapidamente.

Um dos efeitos do desenvolvimento da economia comportamental é a criação de modelos que buscam compensar essas falhas humanas, especialmente a troca de investimentos em momentos de tensão. A ideia é não responder muito aos impulsos momentâneos dos mercados ou da emoção. "É uma forma de evitar tomar decisões por impulso".

Outra contribuição das finanças comportamentais são investimentos que automaticamente mudam suas aplicações com a idade do investidor, adaptando-as ao seu perfil de risco ou necessidade. "As pessoas não são consultadas, apesar de ser o dinheiro delas, mas esse sistema se mostrou na média mais rentável do que aquele no qual as pessoas administravam elas mesmas as mudanças", explica o prêmio Nobel.

(*) Ney Castro Alves, é Advogado, Pós-Graduado em Administração pela FGV, Presidente da Theca Empreendimentos e Participações, Membro do Conselho da Consif - Confederação Nacional do Sistema Financeiro e Conselheiro Certificado do IBGC.



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