.
OS NOVOS PARADIGMAS DA INDÚSTRIA DO SÉCULO XXI
         




Roberto Aroso Cardoso

Importantes avanços da humanidade vem empreendendo uma velocidade exponencial nos fatos e na evolução comportamental do povo ao longo dos últimos séculos, senão vejamos :

O século XVIII foi marcado por grandes transformações e importantes transições advindas do Velho Continente que reverberaram em todo o Planeta, forçando a mudança no comportamento dos povos, com a força popular ganhando espaço para um processo mais democrático, principalmente após a Revolução Francesa. Segundo o economista inglês Thomas Malthus (final do século XVII/início do século XIX), a fome e a miséria no mundo acabaram contribuindo para o controle populacional pois sem elas o mundo seria incapaz de sustentar a população, uma vez que o crescimento populacional é geométrico e o crescimento dos meios de subsistência é aritmético.

O século XIX foi marcado pelo despertar das potencialidades das novas fronteiras, onde o continente americano conquistado pelos europeus, foi palco de importantes passos para o progresso e para a afirmação de seus povos. Nesse século, a Corte Portuguesa emigrou para o Brasil mudando o status do país e os Estados Unidos abriram o caminho, com a sua Independência, para um novo regime, a República, que gradativamente solapou a maioria de formas de governo até então praticadas. Com esses novos movimentos floresceu e consumou-se o clamor antiescravagista, independentes de quaisquer outras atribuições de raça, posição econômica, origem, etc. Bom exemplo foram as ações britânicas contra o trabalho escravagista nas nações europeias, inclusive nas colônias como São Tomé e Príncipe na costa africana, que deu origem à expressão por nós muito utilizada como : "Para inglês ver...". A posição americana e a brasileira por essa corrente, foram também fatores decisivos para a libertação dos escravos e o início de sociedades miscigenadas mais integradas e igualitárias.

O século XX que foi o século da Teoria Quântica, descoberta por Max Planck. Foi ainda o século das grandes guerras mundiais que forçou o espírito de renovação e reconstrução dos povos e seus países, na direção do trabalho e da produção. Nesse bojo veio a Revolução Industrial na racionalidade de Fayol, Taylor e Ford, entre tantos outros importantes agentes. A partir desses elementos a Relatividade de Einstein foi propagada, permitindo-nos avançar rapidamente para um novo conceito de progresso, tornando nossas indústrias mais produtivas e permitindo-nos cada vez mais o alcance de bens de consumo a serviço do homem, para poder proporcionar-lhe uma maior qualidade de vida. Parecia ter sido iniciada uma corrida acelerada que ainda hoje não se consegue vislumbrar aonde queremos chegar, ou visualizar uma luz ao final do túnel.

Os caminhos para que o mundo possa de fato garantir uma melhor qualidade de vida ainda não foram universalmente colocados em prática, quais sejam : Controle da Natalidade Melhor Distribuição da Renda O fator preponderante que tem concorrido para o não atingimento dessa almejada situação, resume-se na falta de ênfase em promovermos uma Educação qualitativa, mandatória e indiscriminada para todas as Nações. A saída recente dos EUA da UNESCO, enfraquece ainda mais essa tese e é um fator de grande preocupação para todos os povos.

A partir da Educação semeia-se as mentes dos jovens e os resultados e conquistas em todos os outros campos de um mundo moderno passam a ser pura decorrência. Exemplos dos tigres asiáticos não nos faltam, como Singapura e a Coréia do Sul.

No entanto, os regimes políticos que vem se alternando nos países de nosso mundo, dito moderno, vêm apresentando falhas estruturais e seus modelos vivem em constantes mutações. Prova maior disso é a China moderna, saindo da prática de um comunismo fracassado para um modelo próximo ao Capitalismo Moderno, com ênfase na educação e que nos tem reforçado a certeza de ser ainda o Regime Democrático, o menos ruim entre os demais regimes, como apregoado por Winston Churchill.

Foi o século XX ainda, que nos trouxe ao final do seu ciclo, o fenômeno da INTERNET, a partir de uma Rede Interna de Pesquisa e Desenvolvimento entre Universidades dos EUA, que cresceu e floresceu de tal forma que vem nos permitindo uma verdadeira metamorfose nas comunicações mundiais, diminuindo as distâncias entre mercado e consumidores, através de velocidades inimagináveis na troca de dados, influindo indubitavelmente nas conquistas e nos resultados de Pesquisa&Desenvolvimento em todos os setores como tecnologia, saúde, economia, sociologia, biologia, etc., enfim em todos os demais setores, sendo hoje causa e efeito de suas expansões e de um desenvolvimento galopante e frenético.

Dir-se-ía que a INTERNET é o Marco Divisório do mundo moderno, resumindo-se como : "Antes e Depois da INTERNET" (AI e DI) destacando-se : Desenfreado crescimento que tomou conta do mundo, reduzido efetivamente à uma aldeia global, onde tudo se sabe e se acompanha em fração de segundos, não importando onde o fato ocorra.

Depois de um século quase, o PIB dos EUA foi ultrapassado por outro país. A Alemanha consolidou-se como potência econômica mundial pela condução da competente e pacífica Angela Merkel e não como potência militar, desejada por Hitler e que nos levou aos horrores da guerra.

A Energia Nuclear na Alemanha, através do Programa ENRGIEWENDE começa a ser substituída totalmente até 2022, por energias limpas e renováveis como a Energia Solar, em que o país germânico se tornou líder mundial em geração (KWh per capita), e que já responde por 21% das fontes limpas e renováveis de sua Matriz Energética.

Todas essas ações vem sendo pressionadas pelas Conferências Mundiais sobre o Clima, gerando Acordos e Metas entre os países, para evitar-se o aquecimento global, em que pese o novo Governo dos EUA não endossar o compromisso firmado pelo Governo anterior na Conferência de Paris ao final de 2015.

Em suma, vivemos o século da quebra dos paradigmas, onde os modelos de trabalho e a concepção das novas e modernas indústrias irão seguir linhas inovadoras e disruptivas que vem nos exigir que seja repensada mais rapidamente a forma da Nova Indústria atuar. A extensão desse conceito é muito ampla, pois não estamos falando somente da Indústria propriamente dita, mas sim e também, de todos os outros fatores envolvidos nesse cenário, tais como a educação, a formação profissional e os novos empregos, sepultando precocemente modelos tidos como novos e já partindo totalmente para o desuso. O Sistema FIRJAN no Rio de Janeiro, com 104 Sindicatos Patronais e cerca de 10.000 associados, contando com o apoio da CNI e da Academia, lançou-se à frente dessa nova corrente e vem proporcionando nesse importante momento, o suporte necessário para que a indústria de nosso Estado venha, com Educação e Trabalho, reconduzir-nos ao patamar da liderança histórica, numa redenção aos fatos lamentáveis que aqui temos presenciado.

Roberto Aroso Cardoso

Membro do Conselho de Tecnologia da FIRJAN

Vice-Presidente do SINDITEC (Sindicato das Indústrias de Eletrônica, Telecomunicações, TIC's, Produção de Software e de Hardware, Componentes e Produtos Eletroeletrônicos do Estado do Rio de Janeiro)






Publicidades






 
                                                           
|
|
|
|
|