LADO POSITIVO DO BRASIL VAI PESAR



GABRIEL MARÃO - PERCEPTION

Primeiro quero explicar como nasceu esse fórum da Internet das Coisas que foi aqui junto a essas reuniões junto com Wanderley e BANCO HOJE. Começamos discutindo o RFID e o futuro e na medida que fomos nos aprofundando descobrimos que a Internet das Coisas tem vários nomes e conseguimos realizar um trabalho para despertar. A nível de governo, a maior parte dos países tem uma agenda estratégica de desenvolvimento, de pesquisa. O Brasil está meio "esclerosado" com relação a isso.

Temos aqui o ITS eo CPQD que são grandes parceiros nossos e hoje vislumbramos que é possível fazer as coisas. Temos tido o acesso a debater com muita gente do governo, indústrias, multinacionais. É um fórum para alertar que o Brasil tem que estar participando, acordado.

ALFREDO PINHEIRO - COMPASS

Mantendo esse tema de acordar o Brasil. A revista The Economist, em 2009, trazia na capa a foto do Cristo Redentor decolando como se fosse um foguete. Agora, em setembro de 2013, ela publicou uma capa com o cristo em "lupping" e dizendo: será que o Brasil perdeu a vez? Fico triste em ver isso, mas nós como empresários não podemos dizer que isso foi inesperado. Essa bola estava cantada a muito tempo. Eu o Gil, um dia, travamos uma discussão em que um era o otimista e o outro o pessimista. Eu realmente não tenho fé que qualquer tipo de mudança sensível aconteça nos próximos anos. Nós já convivemos com uma ameaça de volta de inflação perigosa, estamos convivendo com uma eternização da impunidade, quem tem que fazer lei para mudar esse perfil não está nem um pouco preocupado. O nosso povo dá muito mais valor para marketing do que para conteúdo. O socialismo tem um aspecto de coesão pública muito forte, mas tem se provado através do mundo que não é solução para nada.

Ultimamente estou lendo um pouco sobre a história recente da China e conclui que ele é o país menos socialista do mundo. O maior vício deles é o jogo que é uma cultura capitalista de acumulação, de competitividade. O socialismo na China foi uma ideia genial para resolver um problema pontual que eles tinham de desunião interna. O socialismo tem esse apelo, mas como modelo econômico não funciona e nem vai funcionar.

Hoje temos um problema sério de união nacional onde o nosso povo é muito pouco letrado, lê muito pouco, do que lê, se entende 5% é muito.Eu tenho um caso doméstico como exemplo, minha irmã se formou nove anos depois na mesma escola pública que eu (que era ótima) e é uma analfabeta funcional. A qualidade da escola caiu dramaticamente e nenhum movimento é feito por nós para melhorar a educação.

Esses dias foi aprovado no Congresso uma lei em que só doutores podem dar aulas nas escolas federais e isto é de uma estupidez gritante. As escolas federais estão alijando grande parte dos profissionais que estão no meio, fazendo a coisa acontecer em prol de gente cada vez mais acadêmica, isso é burrice. Eu não vejo um crescimento endêmico nesse país enquanto houver essa política de semi-esquerda. Alguém me disse que a Dilma ganhou 20 pontos no placar por causa da censura a espionagem. Do ponto de vista do americano, do mundo, nós ainda somos um "paisinho de merreca".Eu trabalho com empresas americanas desde 1974, a média da subsidiária da empresa americana aqui é produzir algo em torno de 5%.

Por outro lado, o nosso crescimento tecnológico tem sido muito grande graças a uma heroíca iniciativa privada, o nosso empresariado. Somos competitivos a nível internacional, perdemos por problemas gritantes de falta de educação formal.

Tive o prazer de assistir uma palestra da Gartner no CIAB desse ano e eles me deixaram muito honrados porque consolidaram coisas que eu já havia dito em 2010 (eu na época quase levei ovo e tomate podre na cabeça). Essa palestra chama-se o Nexo das Forças e eu a levei (com autorização da FEBRABAN e do Gartner) para ser repetida no curso de Engenharia da Computação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (que é onde meu filho estuda) e foi um sucesso absoluto, ela mostra que nós não estamos distante das coisas.

Eu tenho visto algumas empresas de São Paulo e de fora do estado fazendo várias coisas, inclusive sobre Internet das Coisas. O nexo das forças que o Gartner fala junta quatro fatores importantes: cloud computing, redes sociais, big data e mobilidade. Nesses quatro pontos estamos fazendo força e conseguindo evoluções muito grande.

Enquanto vemos um esforço febril do ponto de vista da iniciativa privada existe uma resistência, um caipirismo quase chinês em termos de isolar esse país do resto do mundo por parte do nosso governo. O que vai mudar isso é a educação.

ANTÔNIO REGO GIL - BRASSCOM

Para a presidente Dilma, a melhor coisa que houve foram essas histórias das espionagens, só que todo mundo espia todo mundo. O Brasil tecnologicamente está atrasado contra a espionagem.

Fui a uma reunião há umas semanas atrás para tratar sobre educação, o Pronatec, com o ministro Pimentel e ele fez uma prestação de contas das coisas que estão acontecendo no Brasil. Vamos aos fatos: o Brasil é o quarto maior produtor automobilístico do mundo, é o segundo maior mercado do mundo de cosméticos, é o terceiro maior mercado do mundo de coisas como fraldas descartáveis, é uma das principais reservas de petróleo do mundo e assim por diante. O Brasil é o segundo maior produtor de alimentos do mundo, produzindo 25% do que o mundo consome.

Num seminário que a Brasscom fez em Nova Iorque, eu fiz uma observação e um cara disse que eu só tinha falado de comodities e isso não é o futuro do mundo. Quando que comida não é o futuro do mundo? Quando os 2 bilhões de chineses e indianos acabarem de comer todos os ratos de lá, eles vão precisar de comida e só quem produz isso é o Brasil. O ministro esqueceu de falar que o Brasil é o quarto maior mercado de TIC do mundo e citou outros tantos. Como que um país deste está nessa "inhaca"? Eu não consigo entender.

A Brasscom fez um plano de 10 anos sobre onde a tecnologia da informação e da comunicação deverá estar. Somos o quarto do mundo e em 10 anos seremos o terceiro mercado. Somos extremamente competentes em todas as áreas, mas detectamos algumas falhas. Detectamos problemas na área de educação, de saúde, de pequenas e médias empresas que não usam tecnologias mais avançadas. O nosso plano pretende passar o Brasil de 5% do PIB a 8% do PIB em 2022. E para isso precisamos ser grandes, sofisticados e nós já somos. É só observar os exemplos em finanças, governo eletrônico, receita federal, em busca de petróleo, em agricultura, indústria automobilística. Nós somos muito avançados nessa ferramenta importantíssima que é a TI.

Nessas áreas que eu citei vamos ver o que foi feito. Por que a gente fica falando mal do PT (eu nunca votei no PT, não sou do PT e não foi só o PT que fez tudo isso). Nos últimos 20 anos o que foi feito? O Brasil criou um programa chamado Pronatec que pretende treinar 8 milhões de pessoas em níveis médios e o governo tem dinheiro para investir nisso, como já investiu. Já existem 5 milhões de pessoas no nível médio. Nós da Brasscom participamos de um pedaço disso com um programa chamado "Brasil mais TI", que é um treinamento em TI e já formamos em 1 ano 110 mil pessoas em várias matérias de TI e agora estamos implementando o inglês. Um outro programa o "Ciência sem fronteiras" está mandando 100 mil pessoas para as 50 maiores universidades do mundo com tudo pago, até mesmo o dinheiro que se gasta na fila para tirar o visto dos EUA. Esse programa já tem 28 mil brasileiros. O país tembém está desenvolvendo um programa de banda larga 2.0 com investimentos importantes para que todas as casas tenham acesso a internet. O governo federal fez uma desoneração da folha de TI de 20%, isso junto com a iniciativa privada vai leva o Brasil para a frente. O correto é que não estamos nessa "inhaca" toda que estão falando. É lógico que nós temos outros tipos de problemas políticos, reforma fiscal, trabalhista, todas essas coisas precisam ser feitas mas também estamos fazendo muita coisa. Eu sou otimista com relação ao que vem pela frente.

WLADINIR BORGONOVI - FINSOFT

É estranho estarmos com um crescimento do PIB nesse tamanho e estarmos em pleno emprego, é complicado. Para melhorar um pouco o PIB tem que aumentar bastante a inflação.

Vou dar uma dica já que estamos aqui no meio de líderes empresariais, empresários e executivos. Eu estive numa apresentação do general do exército aqui no Centro de Intendência do ABC. E ele disse que estava querendo comprar e não estava conseguindo. Ele estava precisando de profissionais para cuidar da defesa de TI e também para cuidar de ataques que podem ser feitos em TI. Ele está certo, como general, em pensar assim.

Outra dica que dou é a de conversar com a Claúdia Maria. A Petrobrás está fazendo um investimento não desprezível em Santos. Ela está cortando investimentos em tudo quanto é lugar, mas lá ela não vai cortar porque é de onde vai vir o dinheiro do pré-sal. Em Santos, está havendo uma quantidade de investimentos de empresas e fornecedores não só de tecnologia mais de todo material ligado a pesquisa em produção de petróleo, que a grana dá para nós todos aqui e ainda sobra.

Outra dica: o nosso porto está com problema em tamanho, uma margem dele já não dá mais para explorar, mas dá para otimizar o uso do porto com tecnologia. As empresas não se ligam muito em assuntos como simulação, mais as vezes uma silmulação uma porteira a mais para caminhão pode otimizar muito um porto com aqueles imensos navios. Dá para explorar muito mais o porto, com tecnologia.

CLAÚDIA M. HADDAD - PARQUE TECNOLÓGICO DE SANTOS

Com relação ao porto de Santos, realmente ele está crescendo bastante. Houve recorde esse ano de exportação e a tendência é que ele aumente no mínimo 30% para o ano que vem, em movimentação.

É uma preocupação boa, de crescimento, mas se não tiver infra estrutura vai gerar o caos. Tem um programa de rádio que escuto de manhã e só falam em túnel, ponte, teleférico e planos de mobilidade para a cidade. As reformas e alterações para a entrada de Santos, tem a questão das estradas, dos gargalos para o lado do Guarujá, enfim muita coisa para se pensar.

A Petrobrás está investindo na base off-shore no canal mais profundo e não na entrada do porto, tem a SAE se instalando na entrada do canal mais para o lado do Guarujá, a EMBRAPORT que é um grande terminal privado que está enfrentando problemas de mão de obra mas está produzindo, é um grande terminal. Em relação aos investimentos farei uma comparação, nessa questão de ser otimista ou pessimista, serei realista. O Brasil tem oportunidades e problemas e esses problemas incluem riscos porque a oportunidade pode passar e não aproveitarmos.

Em relação a educação, Santos tem o Parque Tecnológico. Ele foi credenciado no fim de dezembro e nesses 10 meses a administração tem trabalhado forte para viabilizá-lo. É um parque diferente e não territorial e isso dificulta um pouco por que as pessoas não entendem como ele funciona, já que não tem uma área delimitada. Estamos numa cidade que tem 40 mil universitários divididos em 10 instituições públicas e privadas. A USP e a UNIFESP estão se instalando e ampliando suas bases na cidade.

A Petrobrás também está investindo num centro de pesquisas. O prefeito e o governador estiveram no RJ conversando com a presidente da Petrobrás e ela garantiu investimentos no centro de pesquisa de petróleo e gás na área do Parque Tecnológico do Santos. É um investimento grande são prédios, equipamentos, pesquisadores. As coisas estão acontecendo e mostrando um caminho positivo cabe a todos, não só a iniciativa privada. A nossa missão, como técnicos, é ajudar a aceleração do crescimento da cidade mais de forma ordenada para que não se torne um problema.

Santos tem limitação geográfica, não tem como expandi-la, ela é uma ilha de 39 km². A área continental dela é quase toda de preservação então não pode expandir muito e quando ocorre tem que ser programada, não tem acesso. Para chegar a área continental de Santos tem que atravessar o Guarujá ir até Bertioga e voltar, não é um acesso fácil. As oportunidades são muitas mais os entraves também na mesma proporção.

Concordo com o Alfredo quando ele fala do problema da educação formal, eu sou professora universitária e dou aula de computação, banco de dados e os alunos não conseguem entender enjoy porque no primeiro ano do primário não aprenderam teoria de conjuntos. Eu fico desenhando bolinhas na lousa e escrevendo 1,2,3,4,5 e do outro números ímpares e explicando porque eles não conseguem entender como os dados se misturam a partir de uma chave.

O aluno não tem raciocínio nenhum abstrato, e quando falamos que precisamos investir em TI quero fazer uma pergunta: somos o quarto mercado de TI do mundo mais como consumidor, fabricante ou produtor? Nós sempre somos o maior mercado consumidor, no máximo fabricante que é o caso dos veículos, nós não somos produtores e tenho dado palestras para empresas de TI em Santos e a maioria dos donos dessas empresas são meus amigos e seus funcionários são meus alunos e falo para eles que nenhum tem um produto próprio. Um representa a IBM, outro representa a tecnologia tal e desenvolve em cima dessa plataforma mais ninguém tem uma própria. O Brasil é fábrica e fábrica eu desmonto e levo para outro lugar.

Quando eu produzo eu escolho onde quero ficar. Se for mais barato produzir na China eu vou pra lá mais o produto é brasileiro. O conceito, a inovação, a patente é brasileira e eu continuo produzindo dividendos e receitas mesmo não produzindo, fabricando aqui. Tenho batido muito isso, na diferença de fabricar e produzir e eles estão começando a entender.

ALMIR MOTA - CNPL

Aproveitando a bola chutada quero dizer que eu e Claúdia temos duas coisas em comum (apesar de tê-la conhecido hoje), nós dois somos americanos. Traduzindo, quando eu cheguei em Santos em 1949, vindo da Bahia o santista tirava sarro da gente dizendo que éramos americanos.

Vamos aos fatos: a questão desse país é muito importante, abordando a questão da educação básica. Quando eu fiz o meu primário, em Santos, eu tive uma bela formação colegial, aprendi muito de matemática, português, história. Depois, em 1960, teve a questão dos cursinhos que virou business marqueteiro e pessoas inventaram os cursinhos, atraindo os melhores professores das escolas estaduais e deu no que deu. Em 1964, com aquela questão de formar mais pessoas para trabalhar no mercado do que para pensar, chegamos nesse ponto.

O problema desse país é que ele não tem o que chamamos de inteligência. Mais não de uma pessoa ser mais inteligente que a outra é a questão que chamo de inteligência estratégica. Como disse o Alfredo nós somos grandes, mas não somos estratégicos. Estamos engatinhando na competição estratégica empresarial e financeira e principalmente na inteligência de Estado. E eu digo o que o sr. Obama tem interesse de saber da Dilma, se ela usa uma bolsa Louis Vitton ou se quer saber as cores das peças íntimas dela? Não, não é. Eles estão procurando é inteligência competitiva. Eles querem saber qual é o potencial de exploração em Santos. Somos o país mais completo em tecnologia de exploração em águas profundas.

Que modelo de democracia que o Brasil tem para dar? Nenhum. Essa democracia do PT que está ai estimulando a preguiça, oferecendo bolsa disso, bolsa daquilo... Não é por aí. Temos que ensinar as pessoas a fazer a vara de pescar e ensiná-los a pescar e não dar o peixe pronto, apesar de que na ponta da praia tem um monte de vendedor de peixe. Estamos regredindo nessa área onde as nações mais avançadas já investiu. Em Israel, por exemplo, tem o serviço mais avançado de inteligência do mundo. E porque que tem? Mais se os senhores pegarem o antigo testamento, no livro Números, no capítulo 13 tema seguinte fala: "E Moisés disse: - Ide, vê o que essa nova terra tem, o que eles produzem, o que eles fazem, como é a índole do povo, se é agressiva, guerreira." E para isso ele nomeou 12 espiões que são Levi e outros. Eles são grandes líderes das grandes nações, das 12 tribos de Israel.

É isso, temos que estarmos preocupados com essa questão da inteligência estratégica empresarial onde a TI é fundamental, onde a formação cultural do povo é importante, e concluindo, temos tudo aqui. Na matéria inteligência, regredimos.

Peço a dona Dilma que invista em inteligência. Nós somos criativos, somos os melhores hackers do mundo junto com os indianos, isso é criatividade.

CARLOS SACCO - ABES

Completamos 27 anos em setembro e nesse tempo mais do que leis que ajudamos a criar e aperfeiçoar, evitamos muitas barbaridades que piorariam ainda mais nossa caótica operação. E temos um monstro sendo incubado agora que é o projeto de regulamentação da profissão, que se for aprovada somente poderá ser programador o analista de sistema, ou seja, a nossa problemática de mão de obra que já é crítica, de um dia para outro seremos proibidos de tocar os nossos negócios porque a nossa empresa não tem só analista. Hoje em dias, garotos de 14 / 16 anos criam aplicativos maravilhosos e não são formados em nada. Acho que é importante ficarmos atentos a todas essas movimentações e termos a nossa assessoria legislativa em Brasília, pois temos mais que nunca de nos unir para evitar essas barbaridades que vão interessar a quem? Eu realmente não sei.

Falando sobre Santos, tenho um grande amigo que é o Cristian Barbosa da Tríade, que é um brasileiro de sucesso, especialista nessa arte difícil de administração do tempo. Com 14 ou 15 anos, ele foi a primeira pessoa mais jovem a ser certificado pela Microsoft e só. Na época, a 20 anos atrás, só se podia conseguir isso com mais de 18 anos. Pela persistência dele, hoje temos ferramentas para nos ajudar a melhorar a nossa produtividade.

Por último, falando sobre criptografia e sigilo, quero contar uma pequena história de Tancredo Neves que na época dizia que telefone só servia para marcar almoço em restaurante errado. Ou seja, ele falava vamos para lá e o código dizia para ir ao outro lado da cidade.

JOSÉ EDUARDO AZARITE - CPqD

Observando a fala de todos achei algo em comum, existe um inconformismo com o estado das coisas, seja com pessimismo ou otimismo, temos um senso comum de que precisamos dar um passo adiante. E eu enquanto militante da área de ciência e tecnologia há muito tempo tenho testemunhos a dar para o lado positivo.

Nós nunca tivemos historicamente esse incentivo do governo para projetos como estamos tendo recentemente. Tenho circulado por aí e vejo que tanto para os projetos públicos quanto para os privados existe uma dificuldade de se ter bons projetos. Acho que essa inteligência estratégica tem muito a ver com isso e tudo isso tem um fundo. Apesar de termos uma série de fontes e de projetos disponíveis, não existe um consenso de longo prazo no nosso país. Percebemos vários administradores que não tem um projeto pra 20,30,50 anos. Pegamos o exemplo da Coréia, que há 40 anos atrás resolveu investir em educação, investiu de fato e hoje olhamos para ela com relação a emissão de patentes, produção tecnológica e científica dando exemplos importantes.

Talvez a questão esteja na linha da estratégia e planejamento de mais longo prazo. Algumas coisas já contecem. Em petróleo e gás, por exemplo, já existem coisas nessa direção feitas pela Petrobrás. Agora o intervencionismo está afastando muita gente do país. No longo prazo, o país tem muito a crescer, o Brasil já era para ter quebrado se tudo o que dizem fosse verdade, somos um país muito rico, nós ainda não achamos a nossa vocação que é a agrícola e patinamos nisso. Podemos ser esse "celeiro" que se fala, talvez tenhamos tecnologia de ponta nisso. Vemos a EMBRAPA dando um show e ainda não conseguimos certas lideranças, mesmo com dinheiro. Entretanto, até na própria EMBRAPA, vimos algumas intervenções no sentido de gestão. Na medida que os governos fazem medidas de mais longo prazo e interfiram menos, tenho certeza que pessoas de competência que estão aqui nessa mesa poderiam contribuir de maneira assertiva.

Sobre os parques tecnológicos, eu participo dessas iniciativas em vários lugares. Estivemos no Ceará, em Campinas e participamos disso fortemente. Independente de que partido seja, várias iniciativas estão havendo com preocupação em arranjos locais em várias regiões do Brasil e isso gera riqueza, gera um eventual planejamento de longo prazo.

Eu resumiria a minha fala em planejamento, iniciativa, pessoas que tenham habilidade estratégica, visão para fazer em 30, 50 anos. Pessoas que possam draivar as outras iniciativas. Seria bastante importante tanto na assistência em tecnologia, na área industrial e em várias outras.

DESCARTES TEIXEIRA - ITS

Represento o Instituto que tem 17 anos de existência no estado de São Paulo, milito na área de software e trabalho especificamente com start-ups, pequenas e médias empresas. Temos afiliado ao nosso instituto pouco mais de 250 empresas desse porte.

Quero fazer um comentário bastante otimista e de valor porque aqui eu ouço espaçamente ser comentado, mas para mim é um ponto crucial do desenvolvimento do nosso país. É a capacidade brasileira de criar. Essa capacidade está emergindo dos jovens apesar das escolas, das dificuldades, da infra estrutura que se tem, existe inteligência nesse país. Isso me move a fazer o que venho fazendo nos meus 50 anos de vida profissional. Eu vi a reserva de mercado nascer e morrer, vi a emergência de uma política de qualidade, visando a competitividade da nossa indústria, vi a indústria de software surgir forte e hoje me sinto tremendamente feliz em ver marcas brasileiras, criadas por cérebros brasileiros competindo no mercado global.

Fico tão entusiasmado com isso que estou levando um grupo avançado de 10 empresas inovadoras (todos aqui sabem o que faço dentro do CIAB há 10 anos) para os londrinos verem o que é inovar nos novos tempos no setor financeiro. Temos empresas que trabalham com biometria em que trabalham pouco mais de 50 pessoas sediada em Campinas e está em 45 países com a sua tecnologia de identificação biométrica por face, voz, impressão digital e etc. Essa é a iniciativa privada criada por brasileiros. Apesar do ambiente que todos nós reclamamos, de fato falta de planejamento sempre existiu. Eu vi uma indústria de semi condutores nascer em Minas Gerais no ano de 1970 morrer logo depois e vi o governo indo atrás de comprar alguma empresa lá fora para prover o país dos semicondutores que precisa. Se isso não se resolver, a nossa balança comercial vai continuar deficitária porque o que se importa de componentes eletrônicos para colocar a bordo dos nossos veículos, celulares é imensa. Não se tem uma política na área de componentes. Seria muito bom se numa próxima reunião tratássemos vastamente sobre componentes eletrônicos no país, do qual a principal testemunha que tenho sobre o assunto é o Gabriel Marão. Não se tem semi condutor no país ainda e queremos exportar, ter o produto.

Quero concluir com uma simples frase: tem alguma coisa no DNA brasileiro que é fantástico, ele sabe lidar com dificuldades. Foi a dificuldade que fez o setor financeiro ser o que é. Foi a crise que transformou a indústria bancária brasileira na potência que é hoje em termos de uso de tecnologia, ela sabe melhor que ninguém.

Tenho fé no futuro, pois tenho fé numa geração que vai emergir sem os vícios dessa geração que vai submergir porque a comunicação está mais aberta, mais fácil, apesar da educação não ser a melhor ele abre a Internet e tem acesso a informações atualizadas de várias partes do planeta. Ele está conectado.

JOÃO PERES - FGV

Gostaria de lembrar alguns fatos. Olhando para o Brasil de uma maneira positiva, a nossa reserva de mercado apesar de tudo que falaram lá atrás, foi muito benéfica para o país. Naquela época, em 1981, com o lançamento do primeiro IBNPC no mercado norte americano, o nosso gap tecnológico em termos de utilização de equipamentos era de 1 ano. Em 1982, a empresa brasileira começou a produzir equipamento IBNPC no mesmo padrão no Brasil. Se olharmos hoje com uma outra ótica o uso da tecnologia, eu diria que o nosso gap hoje é zero. Produtos que são lançados lá fora ou são desenvolvidos aqui dentro são usados pela comunidade instantaneamente. Quando começamos a olhar a crise nacional e falar do Brasil sobre a ótica da inteligência estratégica e competitiva, enxergo no seguinte sentido.

Primeiro, existem coisas que a gente pouco conhece porque elas não devem ser divulgadas. Um exemplo: está público, na Internet, para quem quiser ver o PIB estabelecido de defesa nacional. Todo mundo sabe da existência da ABIN ( Agência Brasileira de Inteligência), mas nem todo mundo sabe que dentro da ABIN existe a CEPEST (Centro de Pesquisa de Segurança de Telecomunicações da Presidência da República). E dai caimos num dilema que é a reação dos usuários. A presidente Dilma tinha todas as condições de não ter seu emails invadidos, então porque ela não usou todos os recursos que lhe foram colocados a disposição? Por exemplo, email com criptografia, telefone com voz criptografada, porque o pessoal do executivo que tem esse recurso não usam? Estamos falando de um CEPEST que faz criptografia forte e vende para os EUA, para Israel, e como pode não ter criptografia para proteger os seus próprios meios de comunicação?

Daí estamos falando de um outro problema, que não é da produção da tecnologia e nem do uso mais sim da adoção. É complicado, trabalhoso colocar uma chave criptográfica de 60, 80 caracteres para mandar um email antes de dispará-lo, mas é essa a realidade. Quem quiser entender o que é inteligência e contra-inteligência no Brasil entra no site da ABIN, baixe as revistas de lá, leia as reportagens que irão perceber que o Brasil está tão atualizado ou mais que muitos países no mundo.

Por outro lado, olhe para a indústria nacional. Eu quando olho vejo criatividade, iniciativa e meio acadêmico borbulhante. Eu vejo cabeças pensantes, produzindo coisas e elas são coptadas para fora do país por que o brasileiro é muito inteligente e tem muita capacidade apesar dos problemas sociais e da má qualidade das escolas. Apesar de tudo nós temos que confiar que o Brasil está indo para frente. Cuidar de um país como o nosso, com uma infraestrutura pobre que temos e com cabeças que se olharmos no meio político, são corrompidas, é difícil. É só olhar o mapa da transparência internacional e ver o nível de corrupção no Brasil que entendemos o que está acontecendo.

A próxima geração que assumir tem a chance de ser um pouco menos corrupta, um pouco menos ruim, 10% já estava muito bom porque corrupção sempre vai existir. A situação hoje é que temos tecnologia nacional só que ela não tem marketing, não é divulgada, as pessoas não conhecem. É por isso que as pessoas de repente achem que não somos criativos. A TI e as iniciativas que vejo são prova disso. Tenho muita confiança que vamos superar todas essas etapas e fazer da TI um grande resolvedor de problemas.

FABRÍCIO ROYER - IBM

Anotei alguns pontos para comentar. Não é erro dizer que ninguém tem dúvida que esse país é privilegiado em todos os aspectos, tem um povo maravilhoso e ninguém jamais deixa de crer na capacidade dele. No fundo todos nós somos otimistas, acreditamos sempre no país e vai continuar assim. O problema que vem se acentuando de 3 a 4 anos para cá é de coisas que conquistamos se deteriorando ou sendo deterioradas. Ser empresário nesse país é um desafio, sob qualquer aspecto. Ser pequeno empresário então nem se fala, é simplesmente ter primeiro uma dose de criatividade para se desenvolver e depois de paciência e muitas outras coisas.

Somos o único país do mundo (considerando países sérios) que usa como instrumento de política monetária a sua maior empresa, a Petrobrás, e o controle de inflação principalmente. Quando eu tenho um investidor que olha de fora do país ou um pequeno investidor de dentro do país que quer se lançar no mercado de capitais não é possível dar garantia alguma. E há uma conivência com isso, é algo normal. A empresa não é administrada da forma como deveria e o que é pior a empresa está sentada em cima dos maiores arcabouços de petróleo do mundo. Oportunidade indiscutível e no entanto nós usamos esta vertente como um instrumento de controle econômico. Se comentarmos isso com um economista europeu sério ou um estudioso ele dirá que isso é inconcebível. Não há na história alguém que tenha feito num país economicamente sério algo desse tipo.

A preocupação se acentua quando não vemos melhoria nos fundamentos de gestão pública. O Estado é absurdamente incompetente e grande. Se pegarmos o exemplo da carga tributária nos países nórdicos é altíssima mas ninguém quer mudar, vemos que estão todos satisfeitos com saúde, educação das melhores. Mais não temos competência técnica na gestão pública. É impressionante que passam anos, governos e não se mexe nessas coisas, é um desastre, um caos. Inchamos a máquina, encarecemos ela por esse inchaço e ainda fazemos ela ser incompetente. É o pior dos cenários.

O empresário é assolado por uma carga tributária absurda, da qual ele não consegue escapar e quando ele busca no Estado o amparo, o serviço, ele muitas vezes não encontra. Por que não é só financiar atividades, injetar dinheiro, criar programas, não é isso que resolve, principalmente se for em época próxima de eleição. Só marketing não resolve. Nos afundamos num problema que é crônico que é a corrupção, o país simplesmente não consegue resolver isso. Nós não fazemos gestão pelo modelo. Como exemplo, em 2010 ou 2011 o presidente do Banco Central alemão foi colocado como suspeita de um problema que aconteceu na sua gestão. Isso aconteceu de manhã e a tarde ele já não estava mais no cargo.

Nós estamos corrompendo algumas coisas, o exemplo do Banco Central é o mais latente para mim. Conquistamos uma autonomia que estamos destruindo, está claro nas ações e na própria regulamentação, infelizmente.

ROBERTO VOI - EMC

De tudo o que a gente discutiu aqui, o que fica claro para mim sobre o Judiciário, mais do que qualquer outra reforma é o problema da punição e não da corrupção. Hoje, se vamos mexer na folha, nos tributos, no modelo do Governo se está inchado ou não, tudo começa pela reforma do Judiciário. Se não tivermos a regra do jogo bem clara, valendo tanto para o privado quanto para o público, vai ficar cada vez mais desafiador a pessoa física ou jurídica atuar dentro do país.

Tecnologia sem dúvida pode otimizar uma série de processos que travam o desenvolvimento do país, isso é notório. Em São Paulo vimos um acidente que aconteceu na ponte da cidade de Jardim e parou toda a cidade. Vemos nas manchetes todo dia que nós não temos perícia, ela leva mais de 24 horas para chegar num local de acidente e mais uma série de coisas básicas. Olha o caos que se tornou a cidade. Essa cidade carrega se não totalmente, boa parte do país, e estamos jogados nessa situação.

Quando vemos o Pronatec e falamos de inteligência estratégica, tem um ponto muito interessante que é o da vocação. O que o pais quer ser? Um celeiro do mundo ou queremos além disso, mostrar que o brasileiro tem uma inovação. Fazendo uma analogia do que vemos nos filmes, nós temos um DNA, temos um X a mais. A indústria financeira, que é a que eu atuo, é exemplo forte disso. Trabalha-se num ambiente hostil e se tem sucesso.

Deixo aqui então que hoje temos um problema mais relacionado ao Judiciário para pensar que plano esse país vai ter. Eu escuto há 40 anos que o Brasil é o país do futuro.

THALCIR KALIL - BOA VISTA SERVIÇOS

Voltando ao assunto da educação e da inovação, a Boa Vista é muito preocupada chegando a montar um centro de inovação numa cidade do interior numa parceria com universidade. Começamos modestos, temos 25 alunos já saindo da faculdade com emprego certo e cinco células de competência.

O que vemos e tomamos muito cuidado é para que o centro de inovação não se torne um "capacite center", aumentando o capacite de desenvolvimento da empresa, mais sim trabalhando inovação e buscando soluções para desmaterialização de processos e identidades digitais.

ADILSON HERRERO - BANCO ALFA

Realmente tivemos aqui a oportunidade de participar de uma série de trocas de ideias muito interessante. Concordando ou não com alguns, tudo isso aqui é muito importante para que possamos olhar para o futuro e pensar em como vamos garantir o objetivo central das empresas que é dar lucro.

Em primeiro lugar, se não tivermos embutido em nossa mente uma dose de empreendedorismo muito forte não conseguimos passar do primeiro obstáculo. As empresas para obter sucesso no futuro, terão obrigatoriamente que colocar dentro do seu DNA, na cultura dos seus funcionários essa necessidade fundamental de empreender. E cuidando do futuro falamos em inovar. Para isso a tecnologia sempre vai aparecer como uma ferramenta fundamental, não é o único caminho mas é primordial para dar suporte para outros avanços.

Não podemos esquecer também do que já está operando e dando resultado, e para esse processo devemos sempre pensar na melhoria operacional. O que foi novo no ano passado hoje já não é mais, mas continua operando e precisa contar com melhoria para continuar. E sem falar na contenção de custos. O momento que estamos passando em que os speeds bancários ou o que aferimos como receita das operações estão cada vez mais comprimidos, o custo de captação do dinheiro cada vez mais caro e para continuar dando lucro tem que se trabalhar nessa otimização e na redução de custos.

Todos os conceitos falados pelo Alfredo Pinheiro como virtualização, cloud computing, mobilidade, social business e domínio das informações estão claramente em estágios diferentes, um lá na frente onde temos que olhar para buscar inovação e outros mais atrás que precisam ser melhorados e é por aí que conseguiremos que a tecnologia (que não é a única ferramenta para passar por esse caminho) possa nos ajudar a avançar. Sempre buscando os quatro fatores fundamentais: empreendedorismo, inovação, melhoria operacional e contenção de custos.

Enquanto as discussões prosseguem vamos sempre estar buscando e falando e essa locomotiva tem que estar andando com esses vagões senão as empresas não sobrevivem.

CARLOS CANTELLI - CPqD

Fazendo uma liga em questões que ficaram em aberto aqui na mesa, nós em tecnologia somos muito resilientes, muito maior do que todas essas mazelas que tem acontecido. E pegando um gancho no que o João falou temos que acreditar na juventude, nessa geração que está vindo. Temos dentro do CPqD um programa chamado "Qualificar para incluir", onde estamos na quarta turma ensinando o básico de TI para pessoas com deficiência, pessoas que vão formar essa juventude não corrupta. Essa é a nossa contribuição nesse sistema.

ANTÔNIO REGO GIL - BRASSCOM

Gostaria de dar uma informação. É claro que precisamos de planejamento estratégico. A Brasscom fez um trabalho com uma das maiores consultoras do mundo de 10 anos. O trabalho que chamamos de TIC 20-22, e está disponível para quem quiser, planeja o que o Brasil deve fazer para que em 2022 seja a terceira maior economia global do mundo em todos os aspectos. Ele não é perfeito mas é muito bom. Dez anos para tecnologia da informação é como se fosse um século e acredito que estamos trabalhando nessa direção.

O Roberto me deu uma luz quando disse aqui que o Brasil é o país do futuro e sempre será. Eu tenho uma apresentação sobre futuro, onde eu falo de todas as coisas positivas como o tamanho do mercado, a competência das empresas, o crescimento do Brasil que é o segundo maior em mercado de TI (o dobro da média mundial) e muitas outras coisas boas.

É lógico que falta muita coisa, principalmente o uso da tecnologia nas áreas de pequenas e médias empresas aumentando a competitividade, educação, saúde, segurança e transparência governamental. Nesse estudo também falo das coisas que o Governo está fazendo que são positivas como falaram aqui do dinheiro que está sendo investido em start-ups, em inovação. No Brasil isso nunca aconteceu. E eu termino a minha apresentação com o que eu considero o maior ativo do país: a população. Temos 92 milhões de afro-descendentes, é a segunda maior população africana fora da África. Temos 25 milhões de italianos, que é a segunda maior população italiana fora da Itália. Temos 18 milhões de alemães, que é a segunda maior população alemã fora da Alemanha. Temos 15 milhões de hispânicos, temos 10 milhões de árabes. Quando nasci, os meus vizinhos eram sírios. Eu nasci e cresci com essa história. O país também tem a segunda maior população japonesa fora do Japão e a segunda maior população central européia fora da Europa Central.Quando olhamos essa matriz só tem um outro país que pode fazer mudança que é o EUA, só que lá essa população não se misturou e aqui já nos misturamos.

Em 1939 foi escrito um livro chamado " Brasil: um país do futuro" e não "o país do futuro". O mundo vai parecer com o Brasil. Em 2050, o Brasil será a quarta maior economia do mundo depois da China, Índia e EUA. Essa riqueza étnica que temos e esse convívio relativamente tranquilo fazem a arma mais poderosa do Brasil. E daí vem também o otimismo com relação as coisas. Não precisamos de marketing e sim de endo-marketing, precisamos nos convencer disso. Nós somos os piores detratores.






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