OTIMISMO ESTIMULA A INDÚSTRIA DE MÁQUINAS
João Carlos Marchesan -Presidente -Conselho de Administração -ABIMAQ / SINDIMAQ

Ninguém compra máquinas por uma questão de status. Como também ninguém compra equipamentos porque o dólar está baixo, ao contrário do que afirmam por ai, mesmo porque câmbio baixo significa preço menor nos produtos que fabricamos, o que reduz a rentabilidade da indústria. O real apreciado, na realidade, causa basicamente a substituição de máquinas e equipamentos nacionais por importados. E, se no limite, o câmbio for muito favorável à importação o industrial em vez de importar máquinas passa a importar o produto final.

Foi isto que, salvo breves períodos, ocorreu nos últimos quinze anos. Máquinas, normalmente, não são produtos de prateleira. Precisam ser encomendadas e enfrentam longos ciclos de produção para chegarem ao seu destino final. São compradas por necessidade, quando há perspectivas de continuidade da demanda e da rentabilidade, no mercado interno e/ou na exportação.

São compradas para produzir mais e de forma mais eficiente de modo a gerar receita e lucro suficiente para se pagarem. Por isto mesmo são, habitualmente, financiadas em prazos dilatados de modo que o caixa por elas gerado permita pagar o equipamento ao longo do tempo e ainda deixar alguma margem para a empresa. Por causa disto o custo do financiamento é crítico para viabilizar o investimento.

Considerando que o lucro médio das indústrias, nos bons tempos em que tinham lucro, girava ao redor de 12% sobre o patrimônio, que inclui o valor dos equipamentos, é óbvio que o custo do financiamento não deveria superar estes mesmos 12%. Ora, no Brasil, os bancos não só não oferecem financiamento nos prazos necessários, de cinco anos ou mais, mas, além disto, cobram juros muito superiores ao retorno das empresas fazendo com que o financiamento bancário em vez de ser um instrumento de alavancagem da produção seja um óbice ao investimento. Outra alternativa, muito usada nos países desenvolvidos, é buscar recursos para investir no mercado de capitais. Entretanto, no Brasil, nosso mercado de capitais, obrigado a oferecer rentabilidade superior ao da remuneração dos títulos públicos, ou seja, da Selic, tem, normalmente, custos acima da rentabilidade da indústria.

 
                                                           
|
|
|
|
|